Se a luta vai para o chão, o desfecho é quase certo. Decacampeã mundial de jiu-jitsu e uma das maiores lendas vivas da modalidade, Bia Mesquita decidiu sair da sua zona de conforto e migrou para o MMA. Aos 34 anos, a carioca ostenta um cartel impecável: seis lutas e seis vitórias, provando que sua adaptação às artes marciais mistas é um sucesso absoluto.
Após estrar com vitória no UFC Rio em 2025, a brasileira agora mira o seu segundo triunfo na organização. O próximo desafio será contra a mexicana Montserrat Rendon, neste sábado (14/3), a partir das 19h (horário de Brasília), em Las Vegas.
Em entrevista ao Metrópoles Esportes, Bia relembrou sua trajetória vitoriosa e analisou o futuro na organização. Sobre o embate deste final de semana, a lutadora destacou o tempo de camp e as características da adversária:
“O diferencial (do jiu-jitsu) para as lutas do UFC é o tempo de treino. Recebi a oferta dessa luta com mais de 10 semanas, então é um tempo muito bom para me preparar. O mais interessante desse combate é que a Montserrat luta os três rounds, o que é completamente o oposto das minhas lutas. As seis vitórias que eu tenho são por finalização, mas estou preparada, a estratégia não muda”, disse Bia Mesquita.
A trajetória de Bia no UFC começou em grande estilo. Lutando em sua cidade natal, a “Lady Goat” não deu chances para a russa Irina Alekseeva, encerrando o combate com um mata-leão ainda no segundo round, o que lhe rendeu o bônus de “Performance da Noite”.
“Vai ser difícil de superar a minha estreia. Estar no Rio, na minha cidade, com a minha família e amigos torcendo de perto e da forma como foi, uma luta bem dominante, consegui colocar tudo o que eu treinei em prática e finalizei logo no segundo round. Consegui o bônus de performance logo na minha estreia, então a minha estreia, no Rio de Janeiro, da forma como foi, nem nos meus melhores sonhos iria imaginar isso”, relembrou.
A transição para o MMA, mesmo após uma carreira consolidada e repleta de títulos no jiu-jitsu, foi movida pelo desejo de evolução e novos desafios. Para Bia, o octógono trouxe de volta a adrenalina do novo.
“O que mais me motivou foi em ir para o mundo do MMA foi essa sensação do desconhecido, de me desafiar, de descobrir até onde eu posso ir. Fiz uma carreira impecável no jiu-jitsu, ganhei os maiores eventos, todos os que eu lutei tive apresentações muito boas. Então essa sensação do algo novo eu já tinha experimentado em todas essas fases no jiu-jitsu e eu queria algo novo, então a decisão mais óbvia era o MMA”.
“Queria sentir esse fogo de ver o novo, como vai ser a minha primeira luta, ai depois construir o meu cartel na LFA. Tive lutas incríveis, a sensação de entrar no cage e entender que ali era pra sair na mão, isso foi o que me fez migrar”.
A disciplina marcial começou cedo, aos cinco anos. O esporte serviu como refúgio durante a ausência do pai, que viajava a trabalho para Angola em uma missão, e como uma forma de canalizar a energia da infância.
“Eu comecei muito cedo, muito novinha, com cinco anos de idade eu fiz a minha primeira aula. Eu tenho um irmão mais velho que era terrorista, então as mães do condomínio incentivava a gente a fazer as aulas de jiu-jitsu. O que mais me motivou a fazer foi ver outras meninas lá. Na época, meu pai estava em uma missão em Angola, então essa atividade também foi muito bom pra gente não sentir tanta falta”, apontou.






