Um banco vermelho instalado em um espaço público pode parecer apenas um objeto urbano. Mas, na verdade, ele carrega um significado profundo: a memória de mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência de gênero. É com esse propósito que a Universidade Federal do Tocantins (UFT) inaugura, no Câmpus de Palmas, o primeiro Banco Vermelho da instituição, um símbolo internacional de conscientização e enfrentamento ao feminicídio. Ele nasceu na Itália, em 2016, quando duas mulheres perderam amigas vítimas dessa violência e decidiram transformar a dor em memória, alerta e mobilização.

Foto: Daniel dos Santos
A inauguração reuniu estudantes, professores, técnicos e autoridades da gestão da Universidade. O momento também contou com a presença de representantes da Defensoria Pública Estadual (DPE), Guarda Metropolitana, Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria Estadual de Segurança Pública e Ministério Público Estadual.
A cerimônia teve ainda apresentação musical da cantora Julia Masterholic, que marcou o início das atividades e reforçou o caráter simbólico e reflexivo da iniciativa, realizada em referência ao Dia Internacional da Mulher.
Compromisso institucional
Durante a cerimônia, a reitora da UFT, Maria Santana, reforçou o posicionamento da universidade no combate a qualquer forma de violência dentro da instituição.
“Não toleraremos nenhum tipo de assédio e nenhum tipo de violência nessa instituição. O que acontecer na nossa universidade será punido pelo rigor da lei”, afirmou.
A reitora destacou que a instalação do Banco Vermelho representa um compromisso coletivo da universidade. “É um símbolo de que a UFT como um todo está no enfrentamento contra o assédio e a misoginia em qualquer espaço desta instituição. A UFT vai enfrentar todo tipo de violência”, disse.
Ao final, ela ressaltou o sentido da iniciativa para a comunidade universitária. “Que este banco não seja apenas um símbolo, mas um lembrete da nossa luta”, concluiu.

Durante o evento, a representante da Ouvidoria da Mulher da UFT, Jandevan Reis de Azevedo, explicou que o serviço está em fase de implantação e funcionará como um canal de acolhimento e denúncia para mulheres e meninas vítimas de violência dentro da universidade.
Segundo ela, a ouvidoria será formada apenas por mulheres e contará com grupos de apoio em todos os câmpus da instituição. “A Ouvidoria da Mulher está em processo de implantação e vai funcionar como mais um canal de acolhimento para mulheres e meninas vítimas de violência no âmbito da universidade, além de receber denúncias. Em cada câmpus estamos criando grupos de apoio para acolher essas vítimas”, afirmou.
De acordo com Jandevan, a equipe também passa por capacitações sobre temas como acolhimento, assédio e discriminação. A expectativa é que a estrutura esteja funcionando ainda neste semestre, após a conclusão das etapas de organização e formação das equipes.

Representantes das instituições parceiras também destacaram ações de enfrentamento à violência contra a mulher. A Polícia Civil apresentou o aplicativo Salve Mulher, disponível para celulares com sistema Android, que permite pedir ajuda em situações de risco. A instituição também lembrou que a Delegacia da Mulher funciona 24 horas para atendimento às vítimas.
Já a Defensoria Pública Estadual destacou o projeto Anjos da Guarda, que promove conversas com adolescentes em escolas para discutir violência de gênero, prevenção e direitos das mulheres.













