A decisão de EUA e Israel de atacarem o Irã no último sábado marca uma “mudança nas regras do jogo” das relações internacionais, destacou nesta segunda-feira o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank.
Durante participação no Fórum Integração e Biocompetitividade em São Paulo, Jank destacou que a movimentação dos EUA deixa ainda mais evidente a intenção do país de retomar o seu protagonismo global.
“Não é mais um mundo de comércio em que o país mais eficiente ganha, é o mundo do comércio administrado em que você tem relações com certos países e outros não”, destacou Jank.
Considerando os objetivos dos EUA de retomar mercados perdidos ao longo dos últimos anos, ele ressalta: “Eu não duvidaria que eles queiram recuperar os mercados que eles perderam pra gente em soja e em carnes. Então, essas coisas vão vir com muito mais força, principalmente se essa guerra consolidar esse poderio americano na região do Oriente Médio”.
Em relação às trocas comerciais entre Brasil e Oriente Médio, Jank descarta interrupções nas exportações, mas alerta para o iminente aumento dos custos logísticos e de produção puxados pela alta do petróleo e, consequentemente, dos fertilizantes.
“Se olharmos para trás veremos que todas as vezes que os Estados Unidos intervieram, seja no caso da Síria, seja no caso do Iraque, a situação posterior foi pior do que estava antes. Portanto, é muito difícil fazer uma análise clara de qual será o impacto no agro. Mas eu diria que, no curto prazo, este impacto se dará pela alta do petróleo”, completa Jank.
Momento de atenção
O Brasil lidera a produção mundial de carne halal, abatida sob os preceitos da lei islâmica, e depende do Estreito de Ormuz para escoar a produção. As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes fecharam 2025 com alta de 1,91% em relação ao ano anterior, somando US$ 1,79 bilhão, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira
Para o advogado Frederico Favacho, sócio do escritório Santos Neto Advogados, o momento exige atenção. “Os contratos não ficam imediatamente suspensos por conta de força maior ou outra condição, na medida em que os exportadores brasileiros possam ter outras rotas, como, por exemplo, o Mediterrâneo. Só que são rotas mais caras e mais complicadas”, explica.
Na avaliação dele, o Brasil pode sofrer impactos não apenas nas carnes, mas também na soja e no açúcar exportados para aquela região. “Precisaremos observar como os fatos vão se desenvolver nos próximos dias para desenhar decisões estratégicas”, acrescenta.






