O Banco do Brasil registrou uma queda de 45,4% no lucro líquido ajustado em 2025, totalizando R$ 20,7 bilhões. O balanço foi divulgado na noite desta quarta-feira (11/2). Segundo a instituição, o resultado foi impactado principalmente pela adoção de novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência.
No quarto trimestre, de outubro a dezembro, o lucro somou R$ 5,7 bilhões, recuo de 47,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, porém, houve alta de 51,7%.
Em janeiro do ano passado, entrou em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que alterou a forma de contabilização das instituições financeiras. A norma, aprovada em 2021, mudou o modelo de provisões para perdas, que passou a considerar perdas esperadas com base em estimativas. Com isso, o banco deixou de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito ao longo do ano, o que afetou o resultado.
Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A expectativa é de crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com alta de 6% a 10% para pessoas físicas, variação entre queda de 2% e alta de 2% no agronegócio e oscilação entre retração de 3% e avanço de 1% para empresas.
O banco também prevê aumento de 2% a 6% nas receitas de serviços, crescimento de 5% a 9% nas despesas administrativas e custo de crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição espera retomar os níveis de rentabilidade em 2026 e destacou o crescimento do lucro no último trimestre como sinal de recuperação.
Mesmo com aumento da inadimplência, BB ampliou concessão de crédito
Além da mudança contábil, o aumento da inadimplência também pressionou o desempenho. O índice de atrasos superiores a 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025. O avanço foi influenciado principalmente pelas operações no agronegócio e no cartão de crédito.
Na carteira do agronegócio, a inadimplência encerrou 2025 em 6,09%, alta de 1,25 ponto percentual no último trimestre. Já na carteira de pessoas físicas, o índice chegou a 6,56%, com elevação de 0,55 ponto percentual no período.
Apesar do cenário, o banco ampliou a concessão de crédito em 2025, mesmo com o aumento dos juros. A carteira ampliada encerrou o ano em R$ 1,2 trilhão, crescimento de 1,4% no quarto trimestre e de 2,5% em 12 meses.
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,8 bilhões em 2025, queda de 1,9% em relação ao ano anterior. Segundo o banco, o resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento nas receitas com administração de fundos (13,5%), taxas de consórcios (19,3%) e rendas do mercado de capitais (7,9%).
As despesas administrativas também totalizaram R$ 34,8 bilhões, alta de 5,1% na comparação anual. O banco atribuiu o aumento ao reajuste salarial e a investimentos em tecnologia e segurança cibernética.







