A exclusão de cirurgiões-dentistas do concurso público estadual da Saúde anunciado pelo Governo do Tocantins para 2026 gerou reação do Conselho Regional de Odontologia do Tocantins (CRO-TO). A entidade questiona a decisão do Executivo estadual de não incluir vagas para a Odontologia em um certame que contempla diversas categorias da área da saúde.
Para o presidente do CRO-TO, Dr. Weslley Rodrigues, a medida representa um retrocesso na política pública de saúde e contraria o princípio da integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). “Não existe saúde pública forte sem saúde bucal. Excluir cirurgiões-dentistas de um concurso dessa dimensão é fragmentar o cuidado, desestruturar equipes e negar à população um direito básico. Saúde não pode ser tratada por partes”, afirmou.
O Conselho destaca que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, conforme estabelece a Constituição Federal, e que a legislação do SUS prevê atendimento integral, incluindo ações de promoção, prevenção e assistência em saúde bucal. A Odontologia, segundo a entidade, é parte estratégica desse cuidado, especialmente na Atenção Básica e na Estratégia Saúde da Família.
A manifestação do CRO-TO também reforça que a Política Nacional de Saúde Bucal reconhece a importância da atuação contínua dos cirurgiões-dentistas no SUS, com ampliação do acesso aos serviços odontológicos públicos e fortalecimento das redes de atenção à saúde. “O próprio Estado reconhece a importância da saúde bucal quando estrutura políticas nacionais, serviços especializados e redes de atenção. Não faz sentido excluir esses profissionais justamente no momento em que se fala em fortalecer o SUS”, reforçou Dr. Weslley Rodrigues.
Segundo o Conselho, a ausência de vagas para cirurgiões-dentistas no concurso pode comprometer a continuidade dos serviços, ampliar filas de atendimento e enfraquecer ações de prevenção, atingindo diretamente a população que depende exclusivamente da rede pública de saúde no Tocantins. “O debate aqui não é corporativo. É sobre política pública, planejamento e responsabilidade com a população. O Estado precisa explicar essa decisão e rever esse caminho”, explica a secretária do CRO-TO, Dra. Christiane Colombo.
A entidade afirma que permanece aberta ao diálogo institucional e defende a revisão do edital ou a adoção de medidas que garantam a inclusão da Odontologia nas políticas de provimento de profissionais da saúde no Estado.






