O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) afirmou, nesta terça-feira (10/2), que sua participação no motim da oposição na Câmara, em agosto de 2025, esteve relacionada a um episódio de hiperfoco, característica associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Pollon responde a um processo no Conselho de Ética que pode resultar na suspensão de seu mandato. Durante a ocupação, o parlamentar impediu que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se sentasse na cadeira da presidência no plenário.
“Eu tenho hiperfoco, e isso é da sabença de todo mundo, inclusive é reconhecido pela própria Junta Médica desta Casa. Eu tenho direito, inclusive, a um acesso a mais de plenário para me acompanhar por conta desse hiperfoco. Muitas vezes, as coisas que estão acontecendo ao meu redor eu não consigo perceber, porque eu estou em hiperfoco (…) Mas reitero a Vossa Excelência que, ainda que eu tivesse feito isso, que não fiz, o que digo apenas em grau de argumentação, há a possibilidade de eu não ter enxergado o presidente [da Câmara], porque é algo completamente imprevisível você ver o presidente dentro de uma muvuca daquela. Na minha percepção de realidade, ele só estaria lá depois que o ambiente estivesse vazio”, declarou Pollon em reunião no Conselho de Ética.
A comissão está no período de ouvir testemunhas, enquanto os acusados pelo motim apresentam as defesas. Durante o depoimento, Pollon repetiu sete vezes que teve “hiperfoco” no momento da ocupação.
“O que eu pedi ao deputado Marcel [van Hattem] foi que me informasse tão logo houvesse o acordo. Em momento algum houve nada parecido com: “Ó, o presidente está aí, vamos ficar”, ou “O presidente está aí, vamos sair”. A única coisa que eu perguntava várias vezes é: “Podemos sair? Houve acordo?”. Só isso. Eu estava com hiperfoco nisso e posso ter certeza de que ele não falou: “Ó, vamos sair porque o presidente está aqui”, nem “Vamos ficar porque o presidente está aqui”, de maneira que nós estávamos ali crentes de que havia um acordo de desocupação e de que o presidente seria o primeiro a honrar esse acordo”, disse o deputado.
Motim
No motim da oposição, deputados e senadores pressionavam pela votação do chamado “Pacote da Paz”, apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A proposta reunia o então Projeto de Lei da Anistia, que posteriormente foi aprovado como um texto que reduziu as penas dos condenados pela trama golpista, além de um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado.
Os parlamentares permaneceram por mais de 30 horas ocupando a mesa da presidência do plenário e chegaram a impedir Motta de se sentar e dar início à sessão.
O acordo para a desobstrução foi articulado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Líderes do Centrão e da oposição recorreram a ele para negociar a liberação da Mesa Diretora, com a condição de que Lira insistisse junto a Motta para pautar o projeto da anistia.
O episódio foi encaminhado à Corregedoria da Câmara.






