Salvador (BA) e Brasília (DF) — O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu não transformar o evento de 46 anos do partido, realizado desde quinta-feira (5/2) em Salvador (BA), no lançamento oficial da pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. O principal motivo foi a indefinição sobre o vice que vai compor a chapa, etapa considerada decisiva antes de qualquer anúncio formal.
Lula vai participar, neste sábado (7/2), de um ato político que encerra as comemorações do partido em uma famosa casa de eventos na capital baiana.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a sigla chegou a trabalhar com a possibilidade de usar a comemoração como marco para a pré-campanha. A expectativa, no entanto, não se confirmou.
Segundo petistas ouvidos pela reportagem, nunca houve decisão formal do partido para transformar o aniversário em ato de lançamento. Sem definição de chapa, nem estratégia de comunicação preparada, o timing não é favorável para oficializar o movimento.
Ainda assim, integrantes da legenda afirmam que o discurso de Lula no evento pode ganhar tom eleitoral, a depender da ênfase adotada pelo presidente. Qualquer sinalização, porém, seria informal e sem status de lançamento oficial.
Aniversário do PT
- O PT comemora, em fevereiro deste ano, 46 anos de fundação.
- Ao longo de três dias, em Salvador (BA), o partido promoveu debates internos sobre diversos temas, como comunicação, soberania na América Latina e estratégias políticas, reunindo militantes, parlamentares e ministros do governo.
- Quadros históricos do partido, como José Dirceu e Eduardo Suplicy, também estiveram presentes.
- Na quinta-feira (5/2) e na sexta-feira (6/2), o encontro ocupou andares do Hotel Fiesta, em Itaigara. No sábado (7/2), as últimas atividades, com a presença do presidente Lula, ocorrem no Trapiche Barnabé, casa de eventos histórica no bairro do Comércio.
Articulações para vice
A escolha do nome que vai ocupar a vice-presidência na chapa Lula 4 envolve negociações com partidos do centro e da base aliada.
Na quinta-feira (5/2), Lula sinalizou que tanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) quanto Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), são nomes fortes para a montagem do palanque em São Paulo — o maior colégio eleitoral do país.
A fala ampliou a disputa pela vaga de número dois do Planalto. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a cadeira é almejada por outros partidos, como o MDB. Uma ala do PT defende a busca de uma aliança com a sigla, mas avalia que, hoje, a maioria dos emedebistas é contrária à costura.
Mesmo assim, petistas ponderam que o cenário pode mudar caso Lula mantenha o favoritismo nas pesquisas. Nesse contexto, nomes como o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), passaram a ser citados nos bastidores.
Dentro do PT, há divergências. Parte da direção defende a permanência de Alckmin como vice. O presidente da sigla, Edinho Silva, avalia que ele tem fôlego para disputar São Paulo, mas prefere vê-lo dentro do governo. O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) também defendeu a manutenção de Alckmin e reforçou o apoio à candidatura de Haddad no estado.
O PSB, por sua vez, trabalha para manter a vaga. Integrantes do partido ouvidos pelo Metrópoles apostam que uma aliança com o MDB não deve avançar e citam a lealdade e o desempenho de Alckmin no governo, especialmente nas negociações envolvendo o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Aliados do vice também minimizaram a fala de Lula, afirmando que Alckmin pode ajudar eleitoralmente em São Paulo, mas permanecendo na chapa presidencial.






