A disputa pelas duas vagas do Senado Federal por Santa Catarina provocou um racha na direita catarinense e deve resultar na saída da deputada federal Caroline de Toni do Partido Liberal (PL).
Como Santa Catarina foi um dos estados mais bolsonarista do país nas eleições de 2022, a expectativa dos partidos de direita é que as duas cadeiras do Senado fiquem com políticos do campo. No entanto, ainda há mais candidatos do que vagas disponíveis, e o apoio do Partido Liberal e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tornaram-se centrais no pleito.
O imbróglio pelas cadeiras começou a partir do anúncio da pré-candidatura do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) para o Senado por SC. A entrada do filho de Jair Bolsonaro na disputa colocou em risco um acordo do PL, que até então planejava lançar Caroline de Toni para uma das vagas e apoiar um nome do PP para a segunda cadeira.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez uma proposta para que Caroline de Toni abandonasse à pré-candidatura ao Senado: concorrer como vice-governadora de Jorginho Mello (PL-SC), candidato à reeleição.
Antes disso, Jorginho já havia oficializado o convite ao prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para compor a chapa como vice na disputa pelo governo em 2026.
Segundo apurou o Metrópoles, De Toni teria se sentido “enrolada” tanto por Jorginho quanto por Valdemar. A deputada decidiu rejeitar a proposta e comunicou ao presidente do PL sobre a decisão de deixar a sigla.
Carlos Bolsonaro na disputa
- O impasse começou após o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) anunciar, no fim de 2025, que é pré-candidato a uma vaga no Senado por Santa Catarina, com o aval do pai.
- O anúncio provocou reações entre lideranças locais. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) foi uma das primeiras a se manifestar contra a iniciativa. Segundo ela, o apoio do PL às duas vagas ao Senado no estado já teria nomes previamente definidos.
- Antes mesmo do anúncio de Carlos, Caroline de Toni já se colocava como pré-candidata ao Senado. Além dela, Jorginho Mello , responsável por articular os apoios da coligação, já havia sinalizado respaldo ao senador Esperidião Amin (PP-SC).
- Com a entrada de Carlos na disputa, o cenário político se tornou mais instável e gerou desconforto entre aliados.
Vai para o Novo?
O partido Novo chegou a formalizar um convite para que a deputada dispute o Senado pela sigla. De Toni e o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, se reuniram, mas as conversas não avançaram diante da indefinição da parlamentar.
O Metrópoles também apurou que o partido aguarda uma definição desde o fim de 2025. Ribeiro teria deixado “as portas abertas” para a deputada, que ainda não deu uma resposta definitiva.
Ainda assim, aliados afirmam que ela sinaliza a intenção de se filiar ao Novo para disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições de outubro.
Resistência de prefeitos catarinenses
Um grupo relevante de prefeitos do estado tem se manifestado publicamente contra a possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Entre os argumentos, está a avaliação de que o político não teria vínculo suficiente com o estado para defender as pautas locais com o mesmo engajamento. Também é citado o que classificam como “oportunismo eleitoral”, diante da força do sobrenome Bolsonaro entre parte do eleitorado catarinense.






