Goiânia – Dias após a morte da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, o síndico do prédio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, isentou os moradores da taxa do condomínio, como uma “regalia”. Ele está preso desde 28 de janeiro, suspeito do crime. Em áudio enviado a um grupo de troca de mensagens entre moradores do prédio, que fica em Caldas Novas (GO), o síndico reclamou que os condôminos não reconheceram o “bônus” que ele concedeu. Ouça:
“Eu isentei a taxa de condomínio que venceu no dia 10 de janeiro, referente a dezembro. Eu isentei os proprietários do pagamento dessa taxa, como um bônus, uma regalia, né, para começar o ano com essa taxa a menos a ter que pagar. Eu considero que seja uma coisa positiva, e não teve comentário. Agora, coisas negativas muita gente se atenta, né?”, questionou o síndico.
Morte de corretora
- Daiane foi morta no dia 17 de dezembro, depois que saiu do seu apartamento e desceu até o subsolo do seu prédio, no bairro Termal, para verificar um corte de energia elétrica, o que acontecia com frequência. A última imagem dela é no elevador, por volta das 19h.
- Após mais de 40 dias do desaparecimento, Cleber confessou o crime. O síndico levou a polícia até o local onde havia deixado o corpo, em uma área de mata, em Ipameri, às margens da GO-213, a cerca de 15 km de Caldas Novas.
- O desfecho aconteceu depois de um histórico de brigas e processos judiciais entre os dois, que, segundo a polícia, envolveu uma disputa pela administração dos apartamentos que a família de Daiane possui no condomínio.
“Odeio fofoca”
No mesmo áudio, que foi enviado ao condôminos antes da confissão do crime, Cleber demonstrava irritação com as investigações e tentava desvincular o prédio do caso. Ele classificou os comentários e questionamentos dos moradores sobre o caso como “fofoca” e “contaminação”.
“Eu removi ele (morador) do grupo porque me desrespeitou, que eu falei para não colocar um conteúdo dessa família, e ele colocou. […] Se tem uma coisa que eu odeio, é fofoca. Que fique todos sabendo: não me pergunte sobre vida alheia, não quero que me contem sobre vida alheia. Esse grupo não foi criado para isso”, ressaltou o síndico.
Cléber também tentou afastar a responsabilidade do condomínio sobre o desaparecimento de Daiane. “Não tem prova nenhuma de que essa pessoa desapareceu do prédio. Ninguém pode afirmar isso. E está praticamente atribuindo ao prédio uma responsabilidade que ele não tem. Então, vamos parar com isso aí, porque senão eu vou encerrar esse grupo. Já é minha vontade encerrá-lo. Está por um fio fazer isso.”
Suspeitos presos
Cerca de uma semana depois da gravação, Cleber assumiu a responsabilidade pela morte da corretora e indicou à polícia o local onde havia ocultado o corpo. Os restos mortais foram encontrados com uma bala alojada na cabeça, em uma região de mata às margens da GO-213, na quarta-feira (28/1).
O síndico e o filho, Maicon Douglas, permanecem presos. A Polícia Civil continua investigando o caso e aguarda o resultado do laudo da perícia técnica, que poderá esclarecer a dinâmica do crime.
Em 3 de fevereiro, o corpo de Daiane foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Goiânia, após o resultado da identificação feita com DNA dentário. O velório e o sepultamento foram realizados nessaa quarta-feira (4/2), no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia (MG).






