O avanço do câncer no Brasil exige atenção, informação e, sobretudo, ação preventiva. Para a oncologista Marina Vasco, da Rede Medical, a conscientização da população é um dos pilares mais importantes no enfrentamento da doença. “O câncer muitas vezes evolui de forma silenciosa. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura aumentam significativamente e os tratamentos tendem a ser menos agressivos, com melhor qualidade de vida para o paciente”, destaca.
A especialista lembra que o Dia Mundial de Luta contra o Câncer, celebrado nesta quarta-feira (4), tem justamente o papel de mobilizar a sociedade, governos e instituições de saúde em torno da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. A data é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), e busca ampliar o debate público sobre uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo.
781 mil novos casos
O alerta ganha ainda mais relevância diante dos dados divulgados nesta quarta-feira (04) pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Segundo a publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, o país deverá registrar 781 mil novos casos da doença por ano no próximo triênio. O número representa um aumento de aproximadamente 9,86% em relação à estimativa anterior, que previa 704 mil casos anuais entre 2023 e 2025. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma — de alta incidência, mas baixa letalidade —, a projeção é de cerca de 518 mil novos casos por ano.
De acordo com o INCA, os tipos de câncer mais incidentes no Brasil são o câncer de pele não melanoma, seguido pelos cânceres de mama, próstata, cólon e reto e pulmão. Entre os homens, predominam os tumores de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, os mais frequentes são os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
Para Marina Vasco, muitos desses casos poderiam ser evitados ou diagnosticados em estágios iniciais com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico regular. “Fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados estão diretamente relacionados a uma parcela significativa dos cânceres. Pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença na prevenção”, reforça.
A oncologista também destaca os avanços recentes no tratamento oncológico, que têm ampliado a sobrevida dos pacientes. Tecnologias como a imunoterapia, drogas-alvo, cirurgia robótica e medicamentos mais eficazes para controle dos efeitos colaterais tornaram os tratamentos mais personalizados e menos agressivos. “Hoje conseguimos oferecer terapias mais precisas, com melhores respostas e mais conforto ao paciente”, afirma.
Outro ponto fundamental, segundo a oncologista, é o cuidado multidisciplinar. Ela explica que o tratamento do câncer é complexo e não envolve apenas o oncologista, mas uma equipe formada por enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais. Esse acompanhamento integrado traz mais segurança, eficácia e humanização ao cuidado do paciente.
No Dia Mundial de Luta contra o Câncer, a mensagem é clara: informação, prevenção e acesso ao cuidado são caminhos essenciais para mudar essa realidade e salvar vidas.
Marina Vasco deixa um recado direto para quem adia exames ou consultas por medo do diagnóstico. “O medo não pode ser maior do que a oportunidade de cura. O diagnóstico precoce salva vidas. Quanto antes a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento”, conclui.







