Um estudo publicado nesta segunda-feira (2/2) conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo, mostra que o chamado efeito sanfona — perder e ganhar peso repetidas vezes — prejudica o metabolismo.
Divulgada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa reforça que o efeito sanfona favorece o acúmulo de gordura corporal e está associado à menor atividade da gordura marrom em mulheres adultas. Os cientistas avaliaram 121 mulheres, com idades entre 20 e 41 anos, com diferentes índices de massa corporal (IMC).
As participantes foram divididas em dois grupos: mulheres com histórico de efeito sanfona, definido como três ou mais episódios de perda de peso seguidos de ganho não planejado de pelo menos 4,5 kg nos últimos quatro anos, e mulheres sem esse histórico.
As voluntárias passaram por exames para medir percentual de gordura corporal, quantidade de gordura visceral (aquela acumulada na região abdominal) e atividade da gordura marrom, um tipo de gordura que ajuda o corpo a gastar energia.
Para ativar essa gordura, as participantes ficaram expostas a uma temperatura controlada de 18 °C. A resposta do organismo foi avaliada por termografia infravermelha, que mede variações de temperatura no corpo.
Os dados revelaram que as mulheres com histórico de efeito sanfona apresentavam mais gordura corporal total, maior acúmulo de gordura visceral e pior perfil metabólico, associado a maior risco de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares.
O estudo também observou que a atividade da gordura marrom era menor nessas mulheres. No entanto, a análise mostrou que essa redução não acontece diretamente por causa do efeito sanfona, mas sim pelo excesso de gordura corporal acumulado ao longo do tempo. Ou seja: o vai e vem do peso favorece o aumento de gordura — e é esse excesso que acaba prejudicando o funcionamento do metabolismo.
Por que a gordura marrom é importante
Diferente da gordura branca, que armazena energia, a gordura marrom ajuda o corpo a queimar calorias e produzir calor. Ela tem papel importante no controle da glicose, dos lipídios e do gasto energético.
Quando a atividade da gordura marrom é reduzida, o organismo tende a gastar menos energia, o que pode dificultar ainda mais a manutenção do peso e favorecer novos ganhos de gordura.
Segundo os autores, estratégias de emagrecimento devem priorizar mudanças sustentáveis no estilo de vida, preservação da massa muscular e redução gradual e consistente da gordura corporal para evitar o efeito sanfona.
Dietas muito restritivas podem até levar à perda de peso no curto prazo, mas aumentam o risco de efeito sanfona e de prejuízos ao metabolismo no longo prazo.
De acordo com os cientistas, em vez de focar apenas na balança, o caminho mais seguro para a saúde é buscar perda de peso estável, acompanhada e sustentável, evitando ciclos repetidos que dificultam o controle do peso ao longo da vida.







