A Corregedoria da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro abriu um processo administrativo disciplinar sumário contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na última terça-feira (27/1), por faltas injustificadas.
Com isso, o filho 03 de Jair Bolsonaro pode perder o cargo de escrivão da PF em Angra dos Reis (RJ).
O processo vai apurar a responsabilidade de Eduardo por ter se ausentado do serviço por mais de 30 dias consecutivos, sem justificativa, após ter tido o mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados, em 18 de dezembro de 2025.Play Video
O cargo de Eduardo Bolsonaro
- Polícia Federal determinou o retorno de Eduardo aos trabalhos na corporação em Angra dos Reis.
- Ocupante do cargo de escrivão, Eduardo integra uma carreira cujo salário inicial é de R$ 14.164,81, podendo chegar a R$ 21.987,38 ao final da progressão funcional.
- A determinação para que ele volte ao posto ocorre após a cassação do mandato como deputado federal.
Decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU) do dia 2 de janeiro deste ano determinava o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo na PF. De acordo com a publicação, o filho de Bolsonaro deveria retornar de forma imediata ao exercício do cargo efetivo na lotação de origem, no Rio de Janeiro, “para fins exclusivamente declaratórios e de regularização da situação funcional”.
Ainda segundo a decisão, a ausência sem justificativa poderá desencadear a “adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis”. A PF contabiliza cada ausência desde 19 de dezembro de 2025 e lança as faltas no sistema como “injustificadas”.
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e se considera um “autoexilado” após “perseguição” do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Faça o que bem entender com meu concurso”
Após a PF exigir o retorno ao cargo de escrivão, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais onde afirma que não cumpriria a determinação.
“Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me sujeitar aos caprichos dos bajuladores de tiranos, que chefiam a Polícia Federal. Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”, disse o deputado federal cassado.
Eduardo diz não ter condições de retornar ao Brasil neste momento, com base no que classifica como uma “perseguição judicial” e a ausência de uma “normalidade democrática” no país.
Ainda no vídeo, ele afirma que não pretende abrir mão do cargo na Polícia Federal “de mãos beijadas” e que vai lutar para mantê-lo. Eduardo também diz temer prejuízos como a perda da aposentadoria vinculada à PF, do porte de arma e da pistola funcional.
PADs
Eduardo é alvo de outro PAD na Polícia Federal. Conforme o Metrópoles mostrou em outubro do ano passado, o ex-deputado é enquadrado internamente em um PAD pela atuação nos Estados Unidos contra o Brasil.
Nesse caso, ele responde por condutas administrativas enquadradas como improbidade, insubordinação grave em serviço e transgressões graves que atentam contra o decoro da função, com base no artigo 132 da Lei nº 8.112/90 — o exercício do mandato de deputado não o isenta de responder a processos administrativos disciplinares.







