O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, conversou, nesta quarta-feira (28/1), com o vice-presidente da China, Han Zheng. Na ligação telefônica, que durou cerca de 30 minutos, Alckmin demonstrou “preocupação” com as novas regras de salvaguarda chinesas que limitam a importação de carne bovina.
Alckmin também ressaltou “a relevância do setor pecuarista para a economia brasileira” e “enfatizou ao vice-presidente chinês a importância do tema para o governo brasileiro”.
Em 31 de dezembro, o Ministério do Comércio chinês divulgou que passaria a implementar medidas de salvaguarda para a carne bovina importada a partir de 1º de janeiro. As cotas de importação de carne bovina tem o objetivo de proteger os produtores locais.
No total, serão 2,7 milhões de toneladas, que serão ampliadas ano a ano. O Brasil, no entanto, ficou com a maior cota de importação entre os fornecedores, de 1,1 milhão toneladas por ano. Caso as importações ultrapassem as cotas estabelecidas, os produtos serão taxados em 55%.
A decisão foi tomada após a resolução final de uma investigação interna sobre a importação da commodity pecuária, iniciada em 27 de dezembro de 2024. As medidas estarão em vigor por um período de três anos e serão gradualmente flexibilizadas em intervalos fixos durante o período de implementação.
Desde o dia em que a medida foi anunciada, o governo brasileiro tenta atuar junto ao governo chinês para mitigar o impacto das novas regras no setor agropecuário local.
De acordo com o Palácio do Planalto, as autoridades destacaram o crescimento de 8,2% no comércio bilateral no ano passado, que atingiu novo recorde anual de US$ 171 bilhões, e “reafirmaram o compromisso mútuo de preservar o diálogo com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais entre Brasil e China”.
Segundo nota do governo brasileiro, Alckmin e Zheng também trataram de oportunidades entre os dois países, em especial nas áreas de infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade.
Durante a conversa, o brasileiro — que exerce a presidência da República até esta quarta, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna de viagem ao Panamá — convidou o vice-presidente chinês para vir ao Brasil para a próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), em data a ser marcada entre os países.






