As crianças desaparecidas no quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, perderam o caminho de casa após saírem em busca de um pé de maracujá, no meio da mata. O delegado Edson Martins, da Polícia Civil do Maranhão (PCMA), confirmou a informação ao Metrópoles nesta segunda-feira (19/1).
O delegado da PCMA repassou os relatos de Anderson Kauan, primo de 8 anos que estava com Isabelle, de 6, e Michael, de 4 — os dois mais novos seguem desaparecidos.
“Sim, procede (sobre o primo de 8 anos e as crianças se perderem após irem ao pé de maracujá). Palavras do próprio Kauan”, confirmou o delegado.
A informação desdobra a investigação e a sequência de acontecimentos após o sumiço. De acordo com o delegado, Anderson Kauan e as outras crianças queriam chegar ao pé de maracujá, mas, no meio do caminho, foram barrados pelo tio, que os mandou voltarem para casa.
Para passarem despercebidos do tio, os três entraram na mata por um lado contrário ao da casa, para tentar contornar o caminho e chegar aos pés de maracujá. Eles, então, começaram a se perder na floresta.
Após três dias desaparecido, Anderson Kauan foi encontrado por um carroceiro em um matagal, a 4 km de distância do local em que sumiu, sem roupas e com sinais de fraqueza. Ele afirmou que os dois primos estavam mais à frente; entretanto, as crianças não foram encontradas. Segundo a investigação, ele não sofreu violência sexual.
Primo de 8 anos contribui com investigações
Anderson Kauan contou à polícia que, durante o percurso na mata, as crianças se perderam e se abrigaram em uma “casa caída”. Ele descreveu ainda que havia cadeira e colchão velhos nesse local, descrição que permitiu às forças de segurança acharem o refúgio temporário. Cães farejadores confirmaram que as crianças passaram pela cabana.
Segundo o delegado, o primo de 8 anos detalhou que a casa estava tão deteriorada que passaram a noite abrigados no pé de uma árvore. Esse teria sido o momento da separação entre Anderson, Isabelle e Michael, tendo em vista que os dois mais novos estavam extremamente cansados.
O delegado Edson detalhou que Anderson tem momentos de “apagão na memória” e não consegue descrever toda a situação. “Tem partes que ele não consegue situar onde estava no meio da mata, e também não sabe repassar muito bem o lapso temporal”, contou.
Últimas pistas
A área central das buscas foi definida com base no relato de Anderson Kauan sobre a “casa caída”, que fica próxima ao rio Mearim.
Com o esgotamento das buscas terrestres na região, equipes de mergulhadores passaram a atuar de forma integrada com a Marinha e demais forças de segurança para intensificar as buscas no meio fluvial.
Apesar do reforço, entretanto, nenhuma nova pista foi encontrada.






