O dólar opera em alta nesta segunda-feira (19), com avanço de 0,16% por volta das 9h10, cotado a R$ 5,3809. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
A semana começa com uma agenda mais enxuta, mas não livre de tensões. Projeções econômicas no Brasil, feriado nos Estados Unidos e novos ruídos geopolíticos moldam o humor dos mercados, enquanto investidores acompanham sinais vindos da política e das commodities.
▶️ No Brasil, o boletim Focus trouxe novas projeções para 2026. A estimativa da inflação recuou levemente, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10%.
▶️ Nos EUA, esta segunda-feira é marcada pelo feriado de Martin Luther King Jr. Day. Com isso, o mercado à vista de ações permanece fechado, o que tende a reduzir a liquidez, com negociações retomadas amanhã.
▶️ Mesmo com o feriado, os mercados europeus e os futuros de Wall Street operam sob pressão. O movimento ocorre após ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus.
▶️ Em resposta, países da União Europeia avaliam aplicar tarifas de € 93 bilhões aos EUA ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco, em meio às tensões envolvendo a Groenlândia.
▶️ As preocupações geopolíticas com o Irã e a sucessão no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) seguem no radar. Nesse contexto, os preços do petróleo recuam, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92 por volta das 9h (horário de Brasília).
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,14%;
- Acumulado do mês: -2,12%;
- Acumulado do ano: -2,12%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +0,88%;
- Acumulado do mês: +2,28%;
- Acumulado do ano: +2,28%.
Ameaça de Trump à Groelândia
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no sábado (17) que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida seria adotada caso esses países se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia, território localizado no Ártico e que pertence à Dinamarca.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passarão a pagar uma taxa adicional de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA.
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Trump declarou ainda que essas cobranças permanecerão em vigor até que seja fechado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Diante do aumento das ameaças, países da União Europeia avaliam medidas de retaliação. Entre as opções em discussão estão a aplicação de tarifas de € 93 bilhões — cerca de R$ 580 bilhões — sobre produtos americanos ou a restrição do acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. As informações foram divulgadas pelo “Financial Times”.
Ao mesmo tempo, os governos europeus buscam uma saída intermediária que evite um rompimento mais profundo na aliança militar ocidental. Autoridades avaliam que um desgaste prolongado nas relações com os EUA poderia representar uma ameaça séria à segurança da Europa.
Segundo o “Financial Times”, as tarifas de retaliação da União Europeia já estavam preparadas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com o novo anúncio de Trump, o tema voltou à mesa de negociações neste domingo.
Também entrou em discussão o uso do chamado “instrumento anticoerção”, um mecanismo que permitiria à União Europeia limitar ou dificultar a atuação de empresas americanas dentro do bloco como resposta a pressões econômicas externas.
Agenda econômica
- Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%. A estimativa faz parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC).
Para os anos seguintes, as expectativas permaneceram estáveis: o mercado projeta inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029.
Depois de a taxa básica de juros da economia, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas, adotado pelo BC para tentar conter a inflação —, os analistas seguem apostando em uma redução dos juros ao longo deste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual.
A expectativa para 2027 também não mudou: o mercado continua projetando a Selic em 10,50% ao ano ao final desse período.
No campo da atividade econômica, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em alta de 1,80%. Esse ritmo é menor do que os cerca de 2,25% estimados para 2025, indicando uma desaceleração da economia no próximo ano.
Já para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Bolsas globais
Os mercados em Wall Street devem começar o dia em alta, sustentados principalmente pelo avanço das ações de semicondutores.
O setor segue beneficiado pelo otimismo em torno da inteligência artificial, que continua atraindo investidores. Além disso, o mercado acompanha o início da temporada de balanços, que deve ganhar mais peso ao longo da próxima semana.
Antes da abertura, os contratos futuros apontavam para um pregão positivo, com alta de 0,1% no Dow Jones, avanço de 0,3% no S&P 500 e ganho de 0,6% no Nasdaq.
Na Europa, o movimento era mais contido, com as principais bolsas operando próximas da estabilidade.
O DAX, de Frankfurt, recuava 0,1%, aos 25.323,98 pontos; o CAC 40, de Paris, caía 0,4%, aos 8.277,40 pontos; e o FTSE 100, de Londres, avançava 0,1%, para 10.250,97 pontos.
Já na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma direção única.
As bolsas chinesas fecharam em baixa após autoridades anunciarem o reforço das regras de financiamento de margem e sinalizarem medidas para conter excessos especulativos, interrompendo uma sequência de quatro semanas de alta.
No fechamento, o Hang Seng caiu 0,29%, o Xangai SSEC recuou 0,26% e o CSI300 perdeu 0,41%. Em sentido oposto, o Kospi subiu 0,90% e o Taiex avançou 1,94%, enquanto o Nikkei cedeu 0,32% e o Straits Times registrou alta de 0,22%.







