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Violência doméstica: veja os sinais de um relacionamento abusivo

g1Tocantins por g1Tocantins
17/01/2026
em Segurança
Tempo de leitura: 7 minutos
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Foto: Mulher vítima de violência doméstica no Tocantins — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Foto: Mulher vítima de violência doméstica no Tocantins — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

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Na primeira semana de 2026 foram registradas três mortes de mulheres com indícios de feminicídio no Tocantins. Especialistas apontaram que muitas vezes os relacionamentos abusivos antecedem as agressões físicas sofridas pelas mulheres, que em alguns casos nem percebem que passam por outros tipos de violência. Essas relações podem envolver ameaças, isolamento, violência psicológica, financeira e sexual.

“Acreditam que aquilo vai ser um ato isolado, que não vai ter uma reiteração, que vai ser só mais uma briga de casal. Tem a vergonha, tem a dependência econômica, a falta de informação. Elas vivem num ciclo de violência e elas não têm força para sair daquilo, às vezes permanecem 2, 3 anos até ela buscar a delegacia de polícia”, explicou a promotora Flávia Rodrigues.

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Dados do Núcleo de Coleta e Análise Estatística (Nucae), da SSP, mostram que a violência contra a mulher tem crescido no Tocantins com o passar dos anos. Em 2024, foram registrados 12 casos de feminicídio. Em 2025, o número de feminicídios aumentou para 20, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Conforme os dados, na maioria dos casos, as vítimas são mulheres autodeclaradas pardas, que vivem em união estável e foram mortas em casa.

Os dados de 2026 são referentes à atualização do Nucae realizada no dia 11 de janeiro. A SSP informou que, apesar de três casos de feminicídio constarem no sistema do órgão em 2026, eles podem ser atualizados com base nas investigações, que ainda estão sendo realizadas. Dessa forma, caso as apurações apontem que o crime não se encaixa como feminicídio, os dados poderão ser reclassificados.

O número de tentativas de feminicídio também chama atenção no estado, apesar de estar em queda. Segundo os dados da SSP, foram 72 vítimas em 2024, e 60 em 2025. É como se uma mulher fosse vítima de tentativa de feminicídio a cada cinco ou seis dias no estado, nestes dois anos.

Em 2026, quatro mulheres foram vítimas de tentativas de feminicídio nos primeiros 11 dias. Confira abaixo como identificar os sinais de um relacionamento abusivo e como buscar ajuda no Tocantins:

  • Sinais de um relacionamento abusivo
  • Como procurar ajuda
  • Atendimentos às mulheres no interior do Tocantins
  • Casa da Mulher Brasileira em Palmas

Violência misturada com carinho: sinais do relacionamento abusivo

Os relacionamentos abusivos são construídos com base no controle. É a forma que os parceiros usam para tomar decisões sobre as amizades, locais frequentados, redes sociais e horários da vítima. A psicóloga Elisa Feitosa Lopes explica que esse controle afeta principalmente a autoestima das vítimas.

“Um sinal muito comum é a sensação constante de estar pisando em ovos. A pessoa muda o jeito de falar, de se vestir e até de pensar para evitar conflitos. O parceiro controla amizades, redes sociais, horários e escolhas. A autoestima vai diminuindo, surge a culpa por tudo e o isolamento se torna cada vez maior. Quando a pessoa percebe, já não se reconhece mais”, disse.

⚠️ Atenção: conforme a psicóloga, se a pessoa se identifica com mais de um desses sinais, é importante “olhar para essa relação com mais cuidado”.

Nem sempre os sinais dessas violências silenciosas são percebidos pelas vítimas. Para a psicóloga, isso é resultado de uma cultura em que as mulheres são ensinadas a amar apesar dos problemas, a se sacrificar pela relação.

“Isso é mais comum do que se imagina. O abuso costuma vir misturado com carinho, pedidos de desculpa e promessas de mudança. Além disso, muitas mulheres cresceram ouvindo que precisam aguentar, que o amor exige sacrifício. O medo de ficar sozinha, a dependência emocional ou financeira e a esperança de que ‘vai melhorar’ fazem com que esses comportamentos sejam normalizados”.

Uma das etapas mais importantes para evitar ou sair de um relacionamento abusivo é a construção de uma rede de apoio. Seja elas nos âmbitos pessoais, como amigos e familiares, ou profissionais, como assistentes sociais e psicólogos.

“Isso significa não atravessar esse momento sozinha. A rede de apoio pode começar de forma simples: escolher uma ou duas pessoas de confiança, pode ser um familiar, uma amiga, alguém do trabalho e compartilhar, no seu tempo, o que foi vivido. Falar rompe o isolamento que o abuso costuma criar”.

Como procurar ajuda?

6ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis (DEAMV - Paraíso do Tocantins) — Foto: Divulgação/SSP

6ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis (DEAMV – Paraíso do Tocantins) — Foto: Divulgação/SSP

O crescimento desses casos no estado é um alerta para a necessidade de pensar e implementar medidas que possam garantir a segurança das mulheres. No Tocantins, as vítimas de violência podem procurar ajuda em diferentes órgãos:

  • Polícia Militar – número 190
  • Central de Atendimento à Mulher – número 180
  • Ministério Público – atendimento presencial ou pela Ouvidoria da Mulher, no número (63) 3216-7586
  • Casa da Mulher Brasileira em Palmas – recebe mulheres em situação de violência

Atendimentos às mulheres no interior do Tocantins

Para que as vítimas procurem ajuda, é necessária uma rede de apoio disponibilizada pelo estado. Por meio do Ministério Público, as vítimas contam com apoio de forma preventiva, com o monitoramento e recomendações de políticas públicas, e de forma repressiva, que envolve as denúncias de crimes contra a mulher ao Poder Judiciário e análise de onde houve falha de proteção à vítima.

A promotora e coordenadora do Núcleo de Gênero, Flávia Rodrigues, explicou que o Tocantins possui estrutura legislativa para dar suporte às mulheres, mas ainda é necessário levar e intensificar esses serviços no interior do estado.

“No estado, eu vejo que nós temos um arcabouço normativo muito bom que está alinhado à Lei Maria da Penha. Nós temos legislações que garantem essa matéria de enfrentamento da violência. Então isso é um avanço. As redes de proteção, elas também já estão sendo articuladas. O que que falta? A interiorização dessa rede de proteção dos municípios menores”, explicou.

Outros pontos que também precisam ser melhorados, segundo a promotora:

  • Expansão de delegacias especializadas para outras regiões;
  • Aumentar o contingente da Patrulha Maria da Penha e da Guarda Metropolitana para garantir a efetividade das medidas protetivas;
  • Dotação orçamentária específica para os processos e ações;

“Porque de nada adianta a gente ter uma articulação e não ter uma dotação que realmente faça diferença no estado, município. Acho que o principal gargalo é a dotação orçamentária para os projetos, ações, com a fiscalização da efetividade desses projetos, da execução desses projetos. A gente precisa dar emprego para essas mulheres, precisa ter cursos, precisa colocar isso em prática. E para isso precisa de dinheiro”, explicou a promotora.

O Governo do Tocantins informou que a Polícia Militar avalia continuamente a necessidade de reforço de pessoal em suas operações e que as decisões sobre alocação de recursos humanos levam em consideração a demanda operacional, a disponibilidade orçamentária e prioridades estratégicas da corporação. O estado também informou que está implementando em 2026 um ciclo de capacitação voltado a todo o contingente de policiais militares para o atendimento especializado em casos de violência doméstica.

Já sobre as delegacias, o governo informou que o Tocantins possui uma rede com 14 delegacias especializadas de atendimento à mulher e que a expansão dessa rede é objeto de estudos sistemáticos por parte da Secretaria de Segurança Pública 

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