Mesmo após o encerramento do prazo para a retirada de rabanhos de gado irregulares da Ilha do Bananal, no extremo sudoeste do Tocantins, o processo de desintrusão segue em andamento sob coordenação de órgãos federais. A determinação, estabelecida pela Justiça Federal, previa a saída dos animais até 31 de dezembro de 2025, após prorrogação do prazo inicial.
Ao longo de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou duas operações voltadas à retirada fluvial do gado presente no território indígena. As ações tiveram como objetivo reduzir a permanência de rebanhos pertencentes a não indígenas no Parque Indígena do Araguaia, área protegida por legislação ambiental e indigenista.
Em nota, o Ibama informou que o Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental (PNAPA) de 2026 já prevê uma nova operação específica para a Ilha do Bananal, com foco na fiscalização e na continuidade do processo de desintrusão. A intenção é verificar o cumprimento integral da determinação judicial e adotar as medidas cabíveis em relação a eventuais irregularidades ainda existentes.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também confirmou que a retirada do gado ainda não foi concluída. Segundo o órgão, não há um levantamento preciso do número de animais que permanecem na Ilha, uma vez que as notificações para retirada foram expedidas diretamente pelo Ibama aos ocupantes das áreas.
De acordo com a Funai, o acompanhamento ocorre de forma complementar, por meio da Coordenação Regional Araguaia Tocantins, em articulação com lideranças indígenas. As próximas etapas envolvem a continuidade da fiscalização territorial, o levantamento e a reunião dos bovinos remanescentes e o acionamento dos órgãos competentes para adoção de providências administrativas, conforme deliberação das lideranças indígenas, até a conclusão definitiva da ação.
Insegurança
Informações obtidas apontam que o processo de retirada do gado tem sido marcado por tensão e insegurança em algumas áreas da Ilha. Segundo relatos colhidos pela reportagem, muitos retireiros indígenas permaneceram em estado de alerta, temendo o roubo de suas cabeças de gado durante o período de retirada.
Há registros de que alguns produtores indígenas chegaram a permanecer de “tocaia” para vigiar os animais, diante do receio de furtos em meio à movimentação intensa de rebanhos. A reportagem também teve acesso a informações de que, em determinadas situações, quando retireiros irregulares realizavam a retirada de seus animais, acabavam conduzindo gado pertencente a terceiros, o que teria ampliado o clima de desconfiança e medo entre os envolvidos.
Em nota, a Funai reforçou que a prática de arrendamento de terras indígenas para criação de gado é ilegal e passível de medidas administrativas por parte dos órgãos competentes. O arrendamento irregular é apontado como um dos principais fatores que levaram à ampliação da pecuária dentro da Ilha do Bananal, em desacordo com o objetivo original de um acordo firmado em 2009, que previa a criação de gado apenas em modelo excepcional e sob gestão indígena.
A retirada do gado integra um esforço conjunto entre MPF, União, Funai e órgãos ambientais para restaurar o equilíbrio ambiental da Ilha do Bananal, considerada a maior ilha fluvial do mundo e uma área de alta sensibilidade ecológica
Com informações do Jornal Opção.






