Após autorização da Justiça, a Prefeitura de São Paulo iniciou a retomada do terreno em que funcionava o Teatro de Contêiner, na Luz, centro da cidade. Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), a “operação de desocupação” ocorreu sem qualquer intercorrência, na manhã desta quinta-feira (15/1).
Nessa segunda (12/1), a 5ª Vara da Fazenda Pública decidiu que a Cia. Munguzá, responsável pelo teatro, perdeu o prazo para deixar o local. Há 10 anos, a companhia ocupava o espaço público culturalmente, com espetáculos de artes cênicas, música e dança.
De acordo com a administração municipal, por meio da transferência da área para a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), está prevista a construção de unidades habitacionais, além de pontos de lazer e convivência integrados ao “plano de recuperação da região central”.
Disputa pelo terreno do Teatro de Contêiner
- O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia Munguzá começou em maio de 2025, quando artistas do Teatro de Contêiner foram surpreendidos por uma notificação extrajudicial de despejo com prazo de 15 dias para desocupação do terreno.
- Em setembro do ano passado, a Justiça de São Paulo deu 90 dias para que a companhia deixasse o endereço na Rua dos Gusmões.
- Além dos custos da mudança, a Cia. Mungunzá se preocupa com o risco de um novo despejo no endereço oferecido pela Prefeitura, localizado na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos. De acordo com o grupo de teatro, foi solicitada a cessão do terreno por 30 anos, mas a contraproposta foi de dois anos.
- “Nessas condições, permanecemos sem possibilidades para avançar. Não podemos transferir o teatro para um espaço do qual possamos ser removidos novamente a qualquer momento”, destacou a companhia em um post nas redes sociais.
- No fim de dezembro, após o fim do prazo de desocupação, o Teatro de Contêiner afirmou ao Metrópoles que aceitou o novo endereço, mas alegou não ter recursos para realizar a mudança.
- Em nota, a Prefeitura afirmou que ofereceu apoio financeiro de R$ 100 mil para auxiliar na desocupação do endereço, mas os responsáveis pelo teatro reivindicaram pagamento de R$ 2 milhões, valor considerado “incompatível” pela administração municipal.
“Com um histórico de apoio às atividades do grupo, com o aporte de R$ 2,5 milhões para projetos, a Prefeitura já havia oferecido quatro espaços para realocação do teatro durante os meses de negociação. Todos os terrenos oferecidos pela Prefeitura ficam na região central, como na Rua Conselheiro Furtado, na própria Rua Helvétia e na Rua João Passaláqua. Além disso, a administração municipal propôs a concessão de R$ 100 mil como ajuda para viabilizar a mudança”, enfatizou a gestão municipal, em comunicado, nesta quinta (15/1).
A ação foi coordenada pela Subprefeitura da Sé, com apoio da Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, e acompanhada por integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).






