A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um novo alerta para a circulação simultânea da influenza sazonal e do vírus sincicial respiratório (VSR) nas Américas. A recomendação é que os países reforcem a vigilância epidemiológica e a preparação dos serviços de saúde, diante do risco de maior pressão sobre hospitais e unidades de atendimento durante o restante do inverno no hemisfério norte.
O comunicado, divulgado no sábado (10/1), atualiza um aviso de dezembro de 2025, quando a Opas já havia sinalizado a possibilidade de uma temporada de vírus respiratórios mais precoce ou mais intensa do que o habitual.
Desde outubro, a circulação da influenza cresce de forma contínua em nível global, com predomínio do subtipo A H3N2, enquanto o VSR também apresenta avanço progressivo.
Cenário nas Américas e no hemisfério norte
Os dados mostram que a proporção de testes positivos para influenza permanece acima de 10% no hemisfério norte, com aumentos sustentados na América do Norte e na América Central. No Caribe, os índices se aproximam de 20%, também com predomínio do vírus influenza A H3N2.
A análise de informações de países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Espanha indica que a temporada de influenza começou mais cedo e de forma acelerada no hemisfério norte. Esse movimento já se reflete no aumento de atendimentos ambulatoriais, especialmente entre crianças, e de hospitalizações, com maior impacto na população idosa.
Apesar do aumento, a Opas afirma que a gravidade dos casos permanece semelhante à observada em temporadas anteriores e que, até agora, não há registro de excesso de mortalidade.
Ainda assim, em alguns países, a circulação dos vírus e a procura por atendimento na atenção primária já superam os níveis vistos em anos recentes.
Risco de sobrecarga e papel da vacinação
A circulação simultânea da influenza e do vírus sincicial respiratório tende a ampliar a demanda por serviços de saúde, sobretudo em períodos de maior transmissão. Por isso, a Opas recomenda acompanhamento contínuo da situação para ajustes oportunos nos planos de resposta.
Segundo o assessor regional da organização para epidemiologia de doenças com potencial epidêmico e pandêmico, Marc Rondy, a combinação dos dois vírus representa um desafio adicional para os sistemas de saúde.
Ele ressalta que a vacinação continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir casos graves e internações, além de permitir uma resposta mais rápida diante de surtos.
Estudos preliminares citados pela Opas indicam que as vacinas atuais contra a influenza reduzem hospitalizações em cerca de 30 a 40% entre adultos e podem alcançar até 75% de efetividade em crianças.
A entidade reforça a importância de ampliar a cobertura vacinal, principalmente entre grupos prioritários como crianças, gestantes, idosos, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde.
Além da imunização, a organização orienta os países a fortalecerem a vigilância integrada de vírus respiratórios, ajustarem a capacidade de atendimento dos serviços e adotarem estratégias de prevenção do VSR, como o uso de vacinas maternas e anticorpos monoclonais em recém-nascidos e lactentes, conforme as recomendações vigentes.
Para a população em geral, a Opas lembra que medidas simples continuam sendo eficazes para reduzir a transmissão, como manter a vacinação em dia, higienizar as mãos com frequência, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, usar máscara em ambientes fechados quando houver sintomas e evitar contato com outras pessoas em caso de febre ou sinais respiratórios.






