Um mês depois da retirada à força do deputado Glauber Braga (PSol-RJ) da Mesa Diretora, a Câmara dos Deputados mantém sob sigilo as investigações internas que apuram agressões cometidas por policiais legislativos contra profissionais da imprensa naquela ocasião.
Jornalistas foram agredidos pelos agentes de segurança em 9 de dezembro de 2025, em meio a uma ação da Polícia da Câmara para retirar Glauber da cadeira de comando do plenário e levá-lo ao Salão Verde da Casa.
O parlamentar fluminense havia ocupado o espaço em um protesto contra a intenção do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de levar à votação um processo que poderia cassá-lo por quebra de decoro.
Glauber e a esposa, deputada Sâmia Bomfim (PSol-SP), relataram que também foram alvo de agressões dos policiais da Câmara. Exames médicos apontaram lesões em áreas como ombro, braço e punho. O casal registrou boletim de ocorrência contra a Polícia Legislativa da Câmara ainda na noite do dia 9.
Nos dias seguintes ao tumulto, a Câmara dos Deputados chegou a anunciar que uma apuração interna havia sido aberta para “identificar eventuais excessos nas providências adotadas ao longo do processo de retomada dos trabalhos”. A investigação, no entanto, segue em sigilo.
A Casa afirmou ao Metrópoles, em resposta a um pedido de acesso à informação, que todas as sindicâncias disciplinares envolvendo servidores são mantidas em “sigilo, na forma da lei”.
A Câmara também não informou quantos procedimentos foram instaurados nem se há previsão para a divulgação de eventuais conclusões ou punições.
Segundo dirigentes da Polícia da Casa ouvidos pelo Metrópoles, uma investigação criminal foi aberta e tem sido conduzida dentro do órgão para apurar o episódio.
Mandato suspenso
Suspenso do mandato até junho deste ano, o deputado Glauber Braga afirmou que não foi procurado pelos agentes de segurança da Câmara para depor a respeito do incidente. Ele e a deputada Sâmia Bomfim também disseram não terem sido informados sobre qualquer andamento da investigação.
O deputado afastado ocupou a cadeira de comando do plenário da Casa durante uma sessão deliberativa. Ele permaneceu no local por cerca de duas horas. Colegas tentaram convencê-lo a deixar o espaço, mas Glauber se recusou e foi retirado à força por policiais legislativos.
Ao longo da ocupação de Glauber, a TV Câmara interrompeu a transmissão ao vivo das câmeras do plenário, e jornalistas foram impedidos de acessar o ambiente. Na confusão, a deputada Célia Xakriabá (PSol-MG) também foi agredida.
O presidente da Câmara afirmou, na ocasião, que Glauber Braga tentou “impedir o andamento dos trabalhos” da Casa. Hugo Motta também classificou a atitude do parlamentar fluminense como um “desrespeito” ao Legislativo.
A Casa informou, também em resposta via Lei de Acesso à Informação, que as ações de 9 de dezembro seguiram os protocolos de segurança previstos no regimento interno e em outras normas “com vistas à garantia da ordem e da continuidade dos trabalhos legislativos”.






